• sábado , 27 maio 2017

Turbulências do “Hub” da Latam

Nas artes marciais e suas derivações contemporâneas, inclusive o boxe estruturado segundo as Regras do Marquês de Queensberry, é comum que o contendor mais frágil tente decidir combate nos primeiros assaltos; quanto mais tempo demora a contenda menos chance tem ele de vencê-la.

É a natureza das coisas. Isto vale, aliás, para outros domínios da vida, a exemplo da guerra surda que travam os Estados federados brasileiros cada vez mais acirrada captação de investimentos para dinamizar suas economias, em especial nos bolsões de subdesenvolvimento que ainda persistem nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A briga é de foice-no-escuro e a única regra que prevalece é a lei do mais forte mesmo, a despeito daquele objetivo fundamental do Estado brasileiro, inserto no art. 3°, inciso III, da Constituição, de reduzir as desigualdades (sociais) e regionais.

Uma promessa vazia do constituinte de 1988? Difícil é acreditar que tudo isso seja fruto de uma deliberação coletiva, algo como “de caso pensado” como se diz singelamente. Claro, todas as reflexões seriamente comprometidas com planos de desenvolvimento do país ou mesmo de regiões, partem do pressuposto de que as desigualdades regionais se fazem empecilhos difíceis de transpor, desviam as nações da rota do crescimento econômico e as atolam no charco do atraso e da pobreza.

Atualmente, em algumas regiões deste país, notadamente no Nordeste brasileiro, convive-se com um novo fenômeno geopolítico e econômico traduzido nas desigualdade intrarregionais cada vez mais acentuadas, na medida em que, no âmbito do “Polígono das Secas”, alguns poucos Estados (Pernambuco, Bahia e Ceará) experimentam processos de desenvolvimento cujos compassos não são nem de longe acompanhados pelo restante dos Estados nordestinos, inclusive, o Rio Grande do Norte, a despeito das enormes e multifacetadas potencialidades que exibe.

Aliás, recentemente o RN recebeu mais um duro golpe quando a diretoria do grupo Latam Airlines resolveu anunciar em qual Estado nordestino colocará o seu “hub” internacional apenas no primeiro semestre do próximo ano, a pretexto de permitir que cada um dos candidatos (RN, Pernambuco e Ceará) possam concluir as suas obras de mobilidade urbana vinculadas aos respectivos terminais aeroportuários. Somente nesse momento, segundo anunciou, será possível uma aferição técnica mais precisa para dar suporte à decisão daquela empresa acerca do mega investimento a ser realizado no Estado porventura escolhido, da ordem de US$ 1,3 bilhões.

Esse adiamento não favorece o RN que, nas atuais condições, era o melhor colocado na disputa, detentor de excelentes condições técnicas para hospedar o “hub” da Latam Airlines. Sendo um contendor mais frágil em vários aspectos, sobretudo, de menor envergadura política que seus vizinhos, evidencia-se a sua derrota mais uma vez. Assim foi em vários outros episódios nos quais os RN sucumbiu diante da força política de pernambucanos e cearenses, sobretudo, os primeiros, que levaram não apenas a refinaria de petróleo do Nordeste, mas, também, conseguiram abocanhar, na época da Constituinte, um importante “pedaço” do território do Estado do Rio Grande do Norte que, pelo direito do “uti possidetis”, seria dono do território ultramarino do Arquipélago de Fernando de Noronha, hoje o reles Município pernambucano.

E como o RN não fez com que seus adversários “beijassem a lona” nos primeiros momentos desse embate, dificilmente conseguirá isto após o adiamento da decisão. Lastimavelmente, a disputa poderá ser, doravante, apenas entre Pernambuco e Ceará; o Elefantinho, como tem acontecido, ficará a chupar o dedo. De lascar o cano!

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