• sábado , 27 maio 2017

Entrevista Especial: Francisco José Júnior

Prefeito anuncia abertura da UPA do BH e instalação de Painel Eletrônico expondo todas as finanças da Prefeitura de Mossoró.

DSC_0319A Prefeitura Municipal de Mossoró irá colocar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), do Bairro Belo Horizonte, em funcionamento, no dia 28 de fevereiro. O anúncio, em primeira mão, foi feito ao Portal Difusora pelo prefeito em exercício, Francisco José Júnior (PSD). Na primeira Entrevista Especial do Portal Difusora o prefeito também anuncia uma série de outras medidas, como a instalação em via pública (em área que está sendo estudada) de um Painel Eletrônico que apresentará ao povo, toda a movimentação financeira da Prefeitura de Mossoró, desde arrecadação até investimentos; realização de auditoria na folha de pessoal do Poder Executivo.  Ao Portal Difusora eRádio Difusora de Mossoró-RN (AM 1.170khz), Francisco José Júnior também trata de questões políticas. Sobre o início de sua gestão, lamentou a atitude dos secretários que pediram para sair, considerando que faltou espírito público e, declarou que tal postura não foi uma atitude de aliados. E, sobre o cenário judicial vivido pelo município, o prefeito em exercício, diz que é solidário para com Cláudia Regina, porém, advogado que a situação seja resolvida o mais rápido possível. De uma forma, ou de outra. Confira a primeira parte desta Entrevista Especial com o prefeito Francisco José Júnior.

Por: Carlos Skarlack

Foto: Makson França 

PORTAL DIFUSORA – Prefeito Francisco José Júnior, que avaliação o senhor faz desses dois meses como chefe do Poder Executivo mossoroense?

DSC_0325FRANCISCO JOSÉ JÚNIOR – Olha, Skarlack, em primeiro lugar eu quero parabenizar a Rádio Difusora de Mossoró por esse novo projeto que é o Portal Difusora que chega para bem informar a população e, quando se aproxima da população, informando, está se prestando um grande serviço ao município. Como eu digo sempre, não escolhi ser prefeito; nunca quis tomar a cadeira de prefeito de ninguém. Assumi a Prefeitura de Mossoró cumprindo uma determinação da Justiça. E desde o primeiro dia tenho procurado ter uma postura de prefeito. Trabalhando diariamente uma média de 15 horas por dia. Tenho me dedicado ao trabalho com toda garra. Em pouco tempo conseguimos afinar a equipe de secretários com a maneira que a gente trabalha. Temos valorizado o servidor de carreira e tanto é assim que 60 ou 70 por cento do meu secretariado são servidores de carreira. Essa é uma maneira de reconhecer o trabalho do servidor pois não acredito em serviço público se não tiver um servidor motivado.

Dentre as medidas adotadas pelo senhor podemos destacar o corte de alguns gastos…
Esses 60 dias tem sido de muito trabalho e de muito zelo pelo dinheiro público. Tomamos decisões de cortes de despesas. De economia com carros que eram alugados; fizemos algumas frentes de auditorias na saúde; estamos agora finalizando, acredito que nesta terça-feira vamos bater o martelo com a UERN, para a realização de uma auditoria que vai ser feita pela nossa universidade. Recebemos uma proposta e falta somente bater o martelo.

DSC_0330Diante disso, o senhor tem sofrido algum tipo de pressão?
Nesses dois meses eu recebi muitas pressões políticas. Mas, entre escolher atender questões políticas ou fazer o que é certo, eu optei por fazer o que considero certo para um prefeito. Até tem pessoas que me dizem que estou muito corajoso em tomar essas medidas todas. Mas, estou com a consciência tranquila pois estou zelando pelo dinheiro púbico e procurando abrir as portas da Prefeitura de Mossoró para a população.

Por falar em abrir as portas da Prefeitura de Mossoró, o senhor implantou um projeto de atendimento ao povo…
É. Assim fiz com o gabinete popular onde semanalmente a gente atende as lideranças dos bairros; também implantei a Ação no Campo, onde de 15 em 15 dia estamos no campo, levando ações e ouvindo a comunidade. E também já atendi nesse período um total de 30 categorias diferentes. São profissionais como músicos, sindicalistas, líderes comunitários, dirigentes de instituições como Liga do Câncer, APAE e outras. E o fato é que dessas 30 representações, 17 nunca tinham conseguido falar com o prefeito, e, imagine, nunca tinham entrado na Prefeitura (de Mossoró). Agimos assim pois entendemos que a Prefeitura não é minha e não é de ninguém. A Prefeitura é do povo.

DSC_0354Quais tem sido os resultados concretos?
Com as econômicas e com as ações adotadas, nós conseguimos logo na primeira semana como prefeito, acabar com as filas das cirurgias oncológicas. Fizemos pagamentos que estavam com muito atraso como os da Liga do Câncer e da APAE, Fundação Vingt-Un Rosado e outros.

O senhor esteve em Brasília na semana passada…
É, estivemos em Brasília e conseguimos muitos recursos para importantes projetos como o da UPA do Bairro Belo Horizonte, para construção de novas casas e para outros projetos. Então, só tenho a agradecer a Deus. Estou muito feliz por realizar todas essas ações. 

A responsabilidade tem sido grande?
Em alguns momentos eu sento com minha esposa, com minha família e paro para pensar. E digo: como estou conseguindo? Chego em casa 22h, 23h e por volta de 6h do dia seguinte já estou acordado. E o prefeito, o gestor, toda hora tem que decidir; que tomar muitas decisões ao longo do dia. E muitas vezes tem que se decidir na hora. Mas, graças a Deus todas as decisões tomadas até agora, temos tido o reconhecimento de que foram o melhor para a população.

De onde o senhor tem tirado toda essa força?
Eu dou esse credito a tudo isso, a toda força e toda sabedoria em acertar nas decisões que temos tomado, acertando mais do que possamos ter errado. A tudo isso, credito a Deus. Dou esse crédito a Deus, pois, não quis tomar a cadeira de ninguém. E toda autoridade é constituída por Deus. Então, se estou aqui é porque Deus tem permitido. Essa força que nem imaginava que teria; essa sabedoria é Deus quem está me dando, me iluminando e me guiando.

DSC_0358Quando o senhor assumiu a Prefeitura de Mossoró e, mesmo sendo aliado da prefeita Cláudia Regina, ocorreu uma onda de pedidos de exoneração em que, quase todo dia, eram dois ou três então secretários pedindo para sair. O senhor esperava esse movimento?
Voltando ao que eu falei sobre tomar decisões e encaminhar soluções, nós acabamos duas greves. Foi a greve da Guarda Municipal com os agentes que estavam há mais de 57 dias sem trabalhar, enquanto a população clamava por segunda. Conseguimos resolver dentro das condições do municípios a questão dos anestesiologístas. Em relação a esse assunto de Cláudia, como eu disse, acredito e posso dizer que ainda sou (aliado), pois, ainda não conversei com a prefeita afastada, mas, eu tinha um ótimo relacionamento, de respeito, de amizade, de companheirismo com ela. Quando eu era presidente da Câmara e ela era prefeita nós tínhamos um ótimo relacionamento. E como presidente da Câmara e ela vereadora, nosso relacionamento também era muito bom. Sobre a saída dos secretários que ela havia indicado, quem pode responder sobre isso é ela. Não sei o motivo pelo qual, em um momento de dificuldade; em um período em que se encerrava um ano e quem já foi gestor ou entende da parte contábil, sabe que é complicado fechar um ano em exercício e abrir um novo orçamento.

Foi difícil, então, naquele momento?
Naquele momento em que os secretários saíram em cascata, toda semana saia um bloco de secretários. Primeiro, eu fiquei muito triste pela questão, inclusive, de espírito público pois o secretário não era secretário da prefeita ou do prefeito. Eram secretários do município e tinham que ter compromisso com a cidade. Não podiam deixar causar essa instabilidade ou causar qualquer DSC_0362prejuízo para os servidores, para a população em geral com os serviços e os próprios fornecedores. Mas, naquele momento nós tivemos habilidade para substituir cada secretários em menos de 24 horas. E valorizando os servidores de carreira. Eu não sei se foi uma questão política, ou se foi uma estratégia jurídica já que estava para serem julgadas liminares e, talvez, a intensão era causar instabilidade que travasse o município e que de repente fosse favorecer, isso realmente eu não posso responder. O que eu posso dizer é que lamentei essa atitude. Não vi como atitude de aliado. Mas, tenho total respeito, desejo que, eu sei que é uma situação muito difícil, pelo qual ela (Cláudia Regina) para. Para ser escolhida candidata já foi um processo traumático. Depois, conseguiu vencer uma eleição muita apertada e com esse imbróglio jurídico, talvez, podendo chegar até há 14 cassações. Então, é um momento muito delicado e agente se solidariza com ela, a pessoa Cláudia Regina. Mas sabemos que temos que estar preparados, nós homens públicos, pessoas públicas, de pagar pelos nossos próprios erros. Na nossa Justiça é considerada culpada a pessoa que passa pelas três instâncias. Então, esperamos que a Justiça possa resolver de forma imediata essa situação, porque não é bom para Cláudia, não é bom para o prefeito Francisco José Júnior e não é bom para a população. Então, o quanto antes, o mais rápido que a gente souber o que vai acontecer, melhor para a cidade. Se vai ter eleição, se não vai. A gente precisa de um cenário melhor e aguardamos não só a Justiça Divina, mas a Justiça dos homens.

Depois do cenário inicial de mudança de secretários, o que aumentou o risco de instabilidade administrativa, hoje, 60 dias depois, como o senhor avalia?
Foi uma situação muito delicada. No momento em que você assume a Prefeitura, assim de maneira imediata. Com uma equipe que não era sua, com um Orçamento que não foi você quem planejou. E nas dificuldades em que encontrei o município. Só na saúde encontrei débitos da ordem na ordem de R$ 16 milhões. E no total, acredito que estou fechando até terça-feira esse relatório, mas acredito que deve passar dos R$ 30 milhões os débitos da Prefeitura. E, naquele momento quando assumi, muita gente dizia que o pagamento do pessoal iria atrasar. E o que foi que nós fizemos? Antecipamos o pagamento. Antecipamos do dia 30 para o dia 24 de dezembro. Conseguimos equalizar esse pagamento das terceirizadas que estava atrasado. Hoje os servidores das terceirizadas já estão recebendo em dia.

DSC_0377Teve outros pagamentos…
A gente conseguiu pagar o Pasep e ainda mais corrigido, quando as pessoas diziam que a gente não pagaria. Vamos pagar o Penac agora em fevereiro. O Penac é um prêmio para os servidores da saúde que estava também desde o ano passado e vamos pagar agora. Pela minha formação como contador, tenho certa facilidade com os números e com a sintonia com nossa equipe, com alguns ajustes, priorizando, pois eu digo sempre que governar é eleger prioridades. E como estamos priorizando a saúde, temos alcançado resultados positivos. Para você ter uma ideia, o município pagava por uma insulina mais de R$ 80 reais. Fizemos agora uma licitação em que vamos pagar R$ 63 reais por uma insulina. Ou seja, quase 40% a menos. Então, com esse zelo, com esses enxugamos que estamos fazendo nós vamos poder dar uma saúde melhor ao nosso povo.

O senhor reafirma o compromisso de priorizar a saúde pública, então?
A prova disso é que nós vamos abrir a UPA do Belo Horizonte. Essa UPA será aberta no dia 28 de fevereiro. Já temos data. Já temos garantia, já fizemos reuniões, fizemos o cheque listen. Já fomos à Brasília e já temos o dinheiro para abrir a UPA do Belo Horizonte.

DSC_0380Tem outras novidades na área da saúde?
Além da UPA do Belo Horizonte, acredito que até o próximo mês estaremos recebendo a primeira parcela para construirmos um centro de reabilitação para deficientes físicos e intelectuais. Conseguimos também uma oficina onde nós vamos produzir a prótese e vamos oferecer gratuitamente a população. Será um investimento de R$ 5 milhões.

Tem sido cobrado pela sociedade a apresentação de um quadro das finanças da Prefeitura de Mossoró. O senhor confirma para esta semana a definição de uma auditoria na folha de pessoal da municipalidade?
Como tenho dito, a Prefeitura não é minha e não é de prefeito. A Prefeitura é do povo. Então, foi uma das minhas decisões, do Conselho, pois nós temos um Conselho Econômico que toma todas as decisões, inclusive decisões políticas. E decidimos que todas as decisões que tomarmos nós daremos transparência. Não sei se vocês notaram, mas, nós já demos umas três entrevistas coletivas com a imprensa. Estamos cada vez mais próximo da imprensa pois é a imprensa que informa ao povo.

O senhor recebeu uma série de relatórios dos secretários municipais?
Receemos esses relatórios. Recebemos na sexta-feira. Estamos avaliando e talvez na terça ou na DSC_0380quarta-feira, estaremos divulgando a real situação da Prefeitura de Mossoró. Estamos em fase de licitação para que possamos licitar um painel. Um painel que será interligado ao nosso sistema de orçamento onde a população terá informações em tempo real. Vamos estudar onde colocar, se numa praça ou em alguma avenida com grande circulação, um painel onde a população vai saber quanto o município está arrecadando; quanto está gastando em saúde e educação. Será algo transparente. E essa auditoria na folha de pagamento, é como as pessoas dizem, que existe uma caixa preta, se houver nós vamos abrir. Queiro deixar bem claro que isso não é caça-às-bruxas; não é medida de retaliação. São medidas necessárias para que possamos equilibrar as contas do município. Pois se hoje o município deve milhões e tem projetos importantes, então, temos que zelar pelo dinheiro público e onde tiver erro nós vamos corrigir. E geralmente, essa correção em cima desses erros é para economia do dinheiro público. Tendo essa economia nós vamos pagar os débitos e, parte, vamos investir em obras.

Como está a solicitação de uma audiência com a governadora Rosalba Ciarlini para tratar de pendências do Governo do Estado para com a Prefeitura de Mossoró?
Na realidade eu não marquei, ainda, nenhuma audiência com a governadora Rosalba Ciarlini. Lembro que tenho por ela o maior respeito, pois, votei nela para prefeita de Mossoró, para senadora DSC_0454e para governadora. Independentemente de partido político, é a governadora do Rio Grande do Norte e de todos. Por ela ser uma mossoroense, nós contamos que ela possa ajudar o nosso município. Estamos precisando, não apenas de ajuda. Mas, que seja feito o que está na lei, o que é correto. Se o município de Mossoró, se a saúde de Mossoró atende a mais de 30 municípios, não é justo pagarmos os serviços de Mossoró e de mais de 30 municípios da Região. Então, existe uma lei que o Governo do Estado tem que dá uma contra partida em relação a isso, o que não foi feito durante todo o ano de 2013. E a saúde tem um débito de R$ 16 milhões. Então, na audiência que vamos solicitar, nós vamos tratar dessa questão pois se é feito em Natal, que atende aos municípios da Grande Natal, então, recebe uma contra partida do Governo do Estado para atender essa Região. Queremos o mesmo tratamento que a governadora deu a Natal, que possa dá a Mossoró que é a sua terra, a sua cidade. Ela por ser médica entende essa parte da saúde mais do que ninguém. Nós estamos precisando que seja corrigida essa distorção. Que sejam equiparados esses recursos.

ENTREVISTA
Confira nesta terça-feira, no Portal Difusora, a segunda e última parte da Entrevista Especial com o prefeito de Mossoró, Francisco José Júnior.

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1 Comentário

  1. Magno França
    10/02/2014 at 15:51 - Reply

    Governar é eleger prioridades, essa frase diz tudo. Parabéns Silveira.

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