• sábado , 27 maio 2017

DE APOSTAS MACABRAS

Jurista Paulo Afonso Linhares assina novo artigo para o Portal Difusora Mossoró

 

 

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Do modo como certos veículos de comunicação e pessoas se referem às agruras por que passa o Brasil, no mais penoso vórtice de crises (moral, política e econômica) de sua recente História, até parece que os efeitos severos já presentes (no viés da economia) ou que advirão pouco ou nada têm a ver com eles; em suma, é como se o barco a soçobrar na tempestade  dessas crises somente levasse Dilma, Lula, Zé Dirceu, a cambada de corruptos-empresários da Operação Lava-Jato (menos os premiados delatores, óbvio) e, indistintamente, todo esse povo do PT. Ledo (sem ser Ivo…) engano.

Ora, as nuvens plúmbeas que descem sobre este país, quer no atual cenário político atual, quer no front da combalida economia nacional, cobrirão a todos com seu manto de nefastas consequências: do mais humilde operário à poderoso Rede Globo de Televisão, passando por bancos, indústrias, agroindústrias, dos setores primário a terciário da economia etc. Na Globo foi uma festa o anúncio da decisão recente da agência Standard & Poor’s, que publica análises e pesquisas relativas às atividade econômico-financeiras internacionais, de rebaixar o Brasil na avaliação de riscos do país, com reflexos nos investimentos e no crédito de empresas brasileiras. Nos altares midiáticos as palavras da S&P soaram como as trombetas de Jericó, a voz onisciente do destino incerto e sombroso deste Brasil de mãe Preta e pai João.

Que riam essas hienas enquanto há tempo… Aliás, essa foi a mesma agência que, numa monumental pisada de bola, mascarou o grau de risco de investimentos nos papéis conhecidos como “subprime”, verdadeiros culpados pela grave crise financeira de 2008 e posteriormente acionada na Justiça norte-americana foi obrigada a pagar ao Departamento do Tesouro daquele país a bagatela de US$ 1,4 bilhão (R$ 5,5 bilhões na cotação atual do dólar norte-americano). Que credibilidade tem a S&P? No caudal de uma grande complô para prejudicar o Brasil e suas empresas, este Brasil que ganhou autonomia com a participação no BRICS, tão a contragosto de Washington, o que ela diz infelizmente passa a ser afirmação “firme e valiosa”.

Por isto, em especial a Globo pode estar a atirar no próprio pé quando seus apresentadores-noticiaristas (à frente gente tipo Alexandre Garcia, Miriam Leitão, Carlos Alberto Sardenberg ou William Wack) não conseguem disfarçar a satisfação de sublinhar as dificuldades do governo Dilma e seus reflexos em vários setores da vida nacional. Estes são apenas uma amostra, pois, na Vênus Platinada, todos torcem muito para que o barco da economia afunde de vez e que o Congresso Nacional vire uma Tribunal de Nuremberg para punir a presidenta Dilma com a espada de fogo do impeachment e, sobretudo, que a Polícia Federal, longa mano do anjo vingador de Curitiba (antigamente, famoso mesmo era o Vampiro de Curitiba, impagável criação do gênio Dalton Trevisan…) o juiz Sérgio Moro, em sacrossanta missão, possa escarafunchar montanhas e montanhas de papéis, processos, desfraldar todos os sigilos fiscais e bancários, confiscar  computadores ou arrancar dos corruptos preventivamente presos generosas “colaborações premiadas”, mesmo que sejam prostituídas provas, desde que cumpram o imperioso desiderato de meter na cadeia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vulcão de Caetés.

A agudizarão da crise econômica poderá transformar-se no buraco negro a sugar para si empresas e empresários, inclusive a Globo e outros grupos empresariais de diversos ramos da economia. Lá fora, grande gabirus da especulação financeira internacional do porte de um George Soros, aboletados na Bolsa de Nova Iorque ou na City londrina, estão à espreita para o banquete que será uma Petrobrás destroçada e à venda pelo preço de bananas podres  ou várias outras empresas brasileiras que poderão sucumbir ao vendaval que se prenuncia.

Claro, o capital tem suas próprias leis e nenhuma alma, é piedade zero na base do “quem for podre que se quebre”. Sim, o desastre econômico que já se abate sobre o Brasil, como efeito meramente psicológico da crise política fabricada pelos perdedores das eleições presidenciais de 2014 e seus aliados dos grandes veículos de comunicação, abrirá muitas frentes de negócios: do mesmo modo que os saldados romanos jogavam dados diante da cruz de um Cristo que agonizava, a canalha da especulação financeira internacional e seus aliados nativos já jogam bozós, roletas e cartas de baralho para decidir o que será desta nação que agoniza com atitudes  irresponsáveis e impatrióticas de muitos de seus filhos.

Quem sabe se nos sombrios dias que virão algum eduardocunha  ou sergiomoro da vida não dará a estocada decisiva neste Brasil sofrido, o exemplo do que Longino, o centurião romano que “perfurou Jesus com uma lança”(João, 19:34), empurrando-nos a todos para o abismo da incerteza. Os abutres têm insaciável fome e vêm refestelar-se no banquete que poderá resultar das apostas macabras, na base do “quanto pior melhor”, que agora fazem democraticidas e vendilhões da pátria de todos os matizes. Povo Brasil, sofrida gente.

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