• domingo , 24 setembro 2017

A Difusora

Apresentação

“Um homem que tem algo a dizer e não encontra ouvintes está em má situação. Mas, pior ainda, estão os ouvintes que não encontram quem tenha algo a dizer-lhes” (Bertold Brecht).

Escrever a história de uma empresa como a Difusora é como montar um grande quebra-cabeças.

A emissora sofreu com catástrofes naturais, como a enchentes de 1985 e 1986, que fê-la ficar fora do ar por 45 dias, por exemplo.

Por sorte e determinação dos funcionários, segundo o técnico em eletrônica Tonheca Nascimento, as águas do rio Mossoró não atingiu os transmissores.

O prejuízo só não fora maior porque a parte de escritório e estúdios ainda não funcionavam no prédio da avenida Cunha da Mota, onde a Difusora está devidamente instalada.

Porém, foi a mudança de endereços – sua primeira sede foi no 1 o andar do antigo Cine Caiçara e depois foi transferida para a rua Dionísio Filgueira – que permitiu que grande parte dos arquivos históricos desta rádio, aliada a falta de visão e compromisso de alguns, não enriquecesse mais ainda essa nova página que agora se escreve.

Mas a nossa tarefa é contar, mesmo que um pouco, o nascedouro, os tempos áureos e a sobrevivência desta rádio que é considerada um patrimônio para a cidade de Mossoró. Pois a Difusora, aos 54 anos de existência, que lidera todas as pesquisas para medir audiência, foi, é e continuará sendo “A Fala do Povo”.

O SURGIMENTO DA DIFUSORA

Não fosse a argúcia e a obstinação do pesquisador Raimundo Soares de Brito, o Raibrito, seria quase impossível escrever a história da Difusora. Foi de seus apontamentos, tão bem guardados em sua hemeroteca, que passamos a descrever, agora, o nascimento desta emissora.

Em 2 de março de 1947, escreveu Raibrito, era fundada aqui na cidade a “Sociedade Difusora Mossoroense”, com o fim de dotar essa cidade de uma estação de radiodifusão.

Na mesma data, o jornal O Mossoroense trazia a seguinte matéria: “A Difusora será fundada hoje no Pax”. Eis o texto: “Realizar-se-á às 9h da manhã de hoje, no Cine Pax, a sessão preparatória para a fundação da Difusora Mossoroense S/A, entidade constituída por pessoas de evidência nos círculos comerciais, com a louvável finalidade de dotar o nosso meio com uma estação de rádio”.

Na mesma reunião será proclamada uma diretoria provisória, sendo acertadas as bases para a constituição do capital que integrará a Difusora Mossoroense. Ao que estamos informados, está em via de aquisição por parte dos idealizadores da nossa estação de rádio, um transmissor RCA – BTL-IL para 1.00 watts, constituindo este, também, um dos grandes assuntos a serem tratados na reunião da manhã de hoje.

Esse foi o primeiro passo para a criação da Rádio Difusora de Mossoró.

O mesmo O Mossoroense publicava, em sua edição de 12 de fevereiro de 1950, a matéria sobre a chegada da aparelhagem da Rádio Difusora de Mossoró, chamando, ainda, a atenção do leitor para a possibilidade de a emissora entrar no ar, em fase experimental, no mês seguinte, no caso em março.

Eis a matéria: “Já se encontra nesta cidade aparelhagem do Broadcasting das Rádio Difusora de Mossoró, a emissora local destinada a atuar em ondas médias e com a potência efetiva na antena de um quilo watt a par, com uma equipe de freqüência modulada para a realização de quaisquer irradiações externas.

Referida aparelhagem foi adquirida em concorrência na Rádio Phillips do Brasil, possibilitando à Rádio Difusora de Mossoró, que funcionará na freqüência de 1.370 quilociclos, um raio de cobertura de igual potência das rádios Borborema e Poti, respectivamente de Campina Grande e Natal, capaz de ser ouvida em todos os Estados do Nordeste.

Dispõe ainda a emissora local, que possivelmente estará no ar, em fase experimental nos primeiros dias de março vindouro, um sistema de torres auto-sustentável que representa, hoje em dia, uma das maiores conquistas nos domínios da radiodifusão.

OS TRABALHOS DO ESTÚDIO – Estão sendo acelerados os trabalhos do estúdio da Rádio Difusora de Mossoró, à rua 6 de janeiro.

Seus diretores atuais não têm encarado sacrifícios no que possa concernir em dotar a cidade de uma emissora à altura desejada.

Esta foi a impressão que tivemos quando em dias da semana  visitamos aquela emissora, onde se desdobram seus dirigentes numa eloqüente demonstração de trabalho”.

Os dias que antecederam a inauguração da Rádio Difusora de Mossoró foram de muita ansiedade. Para abrilhantar a inauguração, que aconteceu no dia 7 de setembro de 1950, um grande show fora marcado para as 20h.

Cinco dias antes da inauguração, no caso em 3 de setembro de 1950, o jornal O Mossoroense trazia a seguinte matéria:

“A Rádio Difusora de Mossoró será inaugurada quinta-feira:

A partir das oito horas a emissora estará no ar.

Os principais elementos artísticos da terra tomarão parte de um grande show às vinte horas.

Um marcante acontecimento, de marcante projeção para a vida da cidade será, sem dúvida, a inauguração da Rádio Difusora de Mossoró, marcada para o próximo dia 7 de setembro.

Ao que colheu a nossa reportagem, constituindo uma das mais expressivas comemorações ao Dia da Independência do Brasil, a ZYI 20 – Rádio Difusora de Mossoró iniciará nesse dia suas atividades no BROADCASTING nacional, com a apresentação de um amplo programa, constante do seguinte:

8h – Ato inaugural com benção de suas instalações e preleção alusiva pelo reverendo D. João Costa, Bispo da Diocese de Mossoró.

20h – Grande show em que tomarão parte vários elementos de seu cast artístico, dentre os quais Manoel de Sousa Queiroz, Dalva Stella Freire, Josué de Oliveira, Dayse de Melo Pinheiro,  Maria Neusa Freire, Maria Aparecidade, Maria Laura da Silva, a jazz e conjunto regional da emissora.

Durante todo o dia estará no ar a ZYI 20, com um programa de estúdio patrocinado por várias firmas do nosso comércio”.

Assim, em 7 de setembro de 1950, seria inaugurada a Rádio Difusora de Mossoró, marca pioneira na cidade chancelada por seus fundadores, sendo eles PAULO GUTEMBERG, MILTON NOGUEIRA DO MONTE e JOSÉ RENATO COSTA.

Sobre o show de inauguração, especificamente, o professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e presidente do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP), Wilson Bezerra de Moura, escreveu em 25 de agosto de 1998, em sua coluna “Reminiscências”, o seguinte:

“Ainda sobre a inauguração da Rádio Difusora de Mossoró, ocorrida em 7 de setembro de 1950, em meio à grande festa, terminando com um show às 20h, com artistas da terra, cujos nomes já mencionamos em artigo anterior.

Retornamos ao assunto, porquanto algumas dessas figuras envolvidas nesse ato solene merecem ser lembradas porque fizeram parte de uma história que passou e que muito dignificou a cidade, por suas participações na vida empresarial, política e social.

Perante um público bastante seleto, as bênçãos do transmissor localizado no alongamento da Avenida Cunha da Mota, bairro Pereiros, o bispo de Mossoró, dom João Batista Portocarrero Costa, proferiu o ato cerimonial. Estiveram presentes os deputados Vicente da Mota Neto e Mário Negócio, o primeiro da representação federal e o segundo estadual, com acentuada atuação no Estado e, principalmente, em Mossoró, além do vereador Jerônimo Vingt Rosado Maia; juiz da comarca de Mossoró, dr. Zacarias Gurgel da Cunha; médico João Marcelino de Oliveira; banqueiro Sebastião Fernandes Gurgel, que dominou o comércio creditício da cidade de Mossoró, com sua Casa Bancária S. Gurgel, sucedendo-o nessa atividade o seu filho Raimundo Gurgel, conhecido por todos como Bibio Gurgel.

Ainda presente o industrial Raimundo Juvino de Oliveira, professor Vingt-un Rosado, presidente da Rádio Difusora de Mossoró e representante do prefeito na solenidade, e Lauro da Escóssia, diretor do jornal O Mossoroense, foi destaque no momento. Registrou-se na ocasião as presenças dos empresários Renato de Araújo Costa e Pedro Fernandes Ribeiro, além do dr. Paulo Gutemberg de Noronha Costa, superintendente da emissora. O dr. Paulo Gutemberg foi uma figura notável no mundo intelectual, com a participação nas atividades culturais da cidade. Um grande jornalista, um bom advogado, um homem de letras era o Paulo Gutemberg.

Foi orador oficial o professor Vingt-un Rosado, que naquela época já era considerado um batalhador da cultura mossoroense. Em sua oratória ele assim se expressou de início: “O governador da cidade confiou ao diretor-presidente da Rádio Difusora de Mossoró S/A a incumbência honrosa de representa-lo nas festividades desta hora”.

Mais adiante fez referência a determinadas figuras notáveis com a seguinte expressão: “Haveremos de precisar as forças que se compuseram para os limites da crônica simples de uma sociedade, para a história maior do município. Entre esses nomes Jorge de Albuquerque Pinto, Bruno Nogueira, Genildo Miranda, José Monte, Luiz Gonzaga, Garibaldi Noronha, Tiburtino Costa, Orlando Cosme e Francisco Nunes, estes confirmaram a tradição explêndida do espírito da iniciativa mossoroense”.

Dentre tantas, foram estas as palavras do professor Vingt-un Rosado, completando a sua alusão a nomes, referiu-se à comissão responsável pelo levantamento do capital de quatrocentos mil cruzeiros para formação da sociedade, cuja comissão era composta de Jorge Pinto, Dix-huit Rosado, Bruno Nogueira, e José Monte, disse afinal de contas que a responsabilidade recaiu decerto na diretoria da sociedade, nas pessoas dos senhores Pedro Fernandes Ribeiro, Reginaldo Paiva, João Rebouças e Enéas da Silva Negreiros.

Então, há 46 anos passados, registrou-se esse acontecimento que teve compensado o esforço com a atuação da ZYI 20 até nossos dias (…).

Rádio Informativo e Educativa

Nos seus primórdios, a Rádio Difusora ficou notabilizada pelo esforço hercúleo do entretenimento. Apoio ao segmento artístico-cultural fazia parte de sua conduta, tendo como forte alicerce as cabeças-pensantes de seus criadores-fundadores.

Foi a convite da Rádio Difusora que grandes nomes do cenário musical por aqui aportaram, tais como Luis Gonzaga…

Em momento de nostalgia, escrevia a colunista social Ivonete de Paula, a 8 de setembro de 2000, em seu espaço no jornal Gazeta do Oeste. Eis o texto na integra, que tinha como título “Difusora 5.0”:

“O país de Mossoró teve, e terá sempre, uma plêiade de homens empreendedores que se antecipam ao seu tempo. Desses, nasceu, há 50 anos, a Rádio Difusora de Mossoró. Na época, com equipamentos de ponta, num espaço físico em nível de rádios de grandes centros nacionais. E com um cast de talento que marcou a história da radiofonia estadual.

Revendo, ontem, na Difusora, encontramos a união de cabeças culturais: Paulo Gutemberg, Genildo Miranda e Renato Costa, afora tarefas administrativas, ia buscar lá fora (Rio, São Paulo), permanentemente, o modelo de rádio informativa e educativa. E produzia e apresentava Página de Diário. Abordando temas nacionais de interesse local, Genildo Miranda: uma voz privilegiada, produzia e apresentava Notícias da Cidade. E o Vesperal das Moças, auditório do Cine Caiçara lotado. Renato Costa, o dono da chave do cofre, investia pesado na aquisição de modernidades para a Difusora.

Entre programas de audiência absoluta na Difusora, esquecer, jamais, Rádio-novela. Entrego a quilometragem. Um dia, parada com um grupo na calçada do Caiçara, Genildo Miranda passou, olhou e convidou a todos nós a um teste para compor o elenco da Rádio-novela. A colunista foi aprovada e ficou um ano ‘Condessa de Castel Frank’, da novela ‘Um Grito ao Longe’. Todo elenco batia nacionais: José Maria Madrid, Ely Mendes, Rita Mangabeira e eu. E outros.

Depois: outros grupos assumiram a pioneira. Novos ventos. A vida não parou. A Difusora quase deixa de ser a estrela da radiofonia local: política, concorrência e a febre televisiva em branco e preto dos anos 70. Mas a trajetória da Rádio Difusora, apesar de alguns percalços, é bonita. Orgulha Mossoró ansiosa de ser grande.

Depois de Leonora, de Castel Frank, retorna à Difusora Ivonete de Paula. Com Encontro. Crônica social. Foi forte. Ainda hoje, pais e filhos pedem o retorno de Ivonete de Paula ao Rádio, com assiduidade. A voz. Imagine não tivesse o desamor de ficar olhando a fumaça no ar se perder. Foi Deus quem deu voz ao vento.

Retornando à viagem de começo, a colunista pede licença ao céus para um amém a Paulo Gutemberg de Noronha Costa (até o nome é chic ),a Genildo Miranda e a Renato Costa. Eles estão no bronze de minha memória. E voltoà terra com o aplauso aos talentos Difusora Anos 70: J. Barbosa, J. Belmont, Givanildo Silva (até hoje gogó de ouro e inteligência muita), Paulo Bertrand, Coronel Pereira, Edmundo Torres, Edmilson Lucena, Assis Cabral, Antônio Martins, Patrício de Oliveira. Esse jingle foi da cabecinha do patrãozinho, (com carinho) Ângelo Augusto Fernandes. E desta mesma safra de massa efervescente, o mano em Cristo, Nilo Santos.

Todos nós, hoje, somos uma amizade indispensável uns aos outros. Para o bom funcionamento da memória e integridade do próprio eu de cada um de nós. Difusora. É isso. Te cuida, Mossoró de hoje. O passado foi forte, porque de homens valentes”.

A Difusora muda de mãos

Pegando o gancho no texto de Ivonete de Paula, quandela informa que “outros grupos assumiram a pioneira”, essa mudança de proprietários aconteceu em 1986.

A Ata da Assembléia Geral de 30 de maio daquele ano foi publicada no Diário Oficial do Estado e no Gazeta do Oeste, no dia 2 de outubro de 1986, e tinha como objetivo “apreciar a transferência de ações para novo grupo de acionistas que passará a deter o controle da sociedade. Oitenta por cento das ações, à época, foram vendidas a Aluízio Alves, Henrique Eduardo de Lyra Alves, Paulo de Tarso Pereira Fernandes e Ismael Wanderley Gomes Filho. (Veja fac-simile da Ata da Assembléia Geral).

Já em agosto de 2003, a Rádio Difusora de Mossoró passava a ter um novo controlador, num acordo histórico. Assumia a condição de Diretor-presidente da emissora o jurista Paulo Linhares.

Paulo assumiu a rádio em dificuldades financeiras e com a missão de reerguê-la. Porém, um fator positivo em meio a tantos negativos: a audiência manteve-se praticamente intacta.

Na gestão de Paulo Linhares a rádio sofreu alterações consideráveis, como a melhoria dos estúdios principal e de gravação, aquisição de link para trabalhos externos e a montagem de um estúdio móvel dentro de um veículo tipo Besta, só para citar alguns exemplos.

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A DIFUSORA E O FUTEBOL MOSSOROENSE

Como surgiu a imprensa esportiva mossoroense

A imprensa esportiva de Mossoró surgiu efetivamente após a inauguração da Rádio Difusora, pelos idos de 1953, oportunidade em que o cronista João Batista Cascudo Rodrigues, atualmente uma figura de destaque no Ministério de Minas e Energia, integrante da equipe de assessoria do Ministro César Cals, institutiu a Associação dos Cronistas Esportivos de Mossoró – ACEM, constituindo-se no seu primeiro presidente.

A referida entidade passou por reformas estatutárias e a 27 de maio de 1956, contando com a adesão de outros adeptos da imprensa esportiva, modificaram a sua denominação para Sociedade dos Cronistas Esportivos de Mossoró – SOCEM, tendo à frente, na época, o Prof. Manoel Leonardo Nogueira, juntamente com os confrades José Antônio da Costa, Francisco de Paula Brasil, José Genildo de Miranda, José Maria Martins  de Almeida, Antônio Martins Sobrinho e Francisco Jerônimo Lobato, que formaram a sua primeira diretoria.

Chegávamos no ano de 1960, início de uma nova era para o nosso futebol, razão pela qual a nossa imprensa voltava à tona.

Após a realização do pentagonal Cid Augusto Rosado, numa promoção do abnegado desportista Zoívo Barbosa de Menezes, o esporte bretão despontava com total desprendimento. Nada melhor então do que o apoio da mesma imprensa, para divulgar mais ainda, as promoções que haveriam de surgir. As duas emissoras existentes, Difusora e Tapuyo, trataram de estruturar suas equipes esportivas. Assim é que podemos citar como precursores das jornadas esportivas da ZYI 20 (Rádio Difusora): Gim Borralho Boa Vista, José Maria Martins de Almeida, José Antônio da Costa, Gutemberg Borges de Miranda, Luciano Pontes, Edmundo Alves de Assis, Romildo Eufrásio Nunes, José Genildo de Miranda, José Ary e outros que infelizmente não recordamos, foram locutores que desfilaram suas vozes pelos famosos microfones da emissora mais antiga da cidade.

Pela equipe de esportes da “taba” Tapuyo, citamos: Paulo Rufino, Emerson Azevedo, Francisco Lobato, Leonardo Nogueira, Cascudo Rodrigues, Evaldo Dantas, Flávio Lima, José Jayme, Alfredo Pinheiro Filho, José Neto e Antonio Martins, são nomes que nos vem a mente, sem esquecermos a figura de Enio Campos, importado da crônica paulista.

Isto originava a primeira guerra pela audiência esportiva entre duas emissoras. Se determinada equipe procurava aprimorar ainda mais os seus conhecimentos, utilizando o material humano e técnico que dispunha, a outra não deixava por menos. Bolavam novas ‘táticas’, criavam novos slogans, tudo com a finalidade de angariar um maior número de ouvintes. De tudo isto, só germinava o fruto do proveito, pois a divulgação se tornava cada vez mais intensa e benéfica para o nosso futebol. O público já se acostumava a escutar narrações e não era do agrado do mesmo se por algum motivo, no domingo seguinte, deixasse de haver irradiação.

Em virtude do não-profissionalismo na crônica esportiva, não constituía-se em novidade um locutor narrar uma partida por determinada rádio e na semana seguinte se transferir para a outra. Foi justamente o que ocorreu com Paulo Rufino. Trazido pela Difusora, da capital pernambucana, estreou com um índice de audiência bastante considerável. Após umas três narrações, aproximadamente, e por ocasião do término da primeira fase do jogo Ipiranga x Fluminense, desentendeu-se com um dos integrantes da equipe ZYI 20 pelos simples fato de haver apresentado um rápido comentário sobre determinado atleta do alvinegro e o colega, que era comentarista efetivo, ter discordado do seu ponto de vista. Registrada a ocorrência, Rufino transferiu-se para a Tapuyo e lá transmitiu de imediato a etapa final da partida. Tanto esforço inútil de parte da emissora que o trouxe. Veio com a fama para ser cedido ao concorrente sem mais delongas, como se diz na gíria esportiva (…).

Fonte referencial: Livro “O Futebol da Gente”

Autores: Lauro da Escóssia, Raimundo Nonato, Manoel Leonardo e Olismar Lima

Setembro/1982

CURIOSIDADE ESPORTIVA RADIOFÔNICA

Primeira Narração Esportiva

A narração que foi para a história da radiofonia local aconteceu no dia 30 de setembro de 1947, ou seja, três anos antes da primeira rádio oficial de Mossoró, no caso a Difusora.

O jogo envolvia um selecionado mossoroense e um time da cidade de Aracati, no vizinho Estado do Ceará.

A partida aconteceu no antigo estádio da rua Benjamim Constant, no bairro 12 Anos, onde hoje fica localizado o Serviço Social da Indústria (SESI).

A idéia foi de Genildo Miranda – que era locutor oficial da Amplificadora do município, na gestão do prefeito Jerônimo Dix-sept Rosado Maia, que posteriormente viria a integrar o quadro de locutores da Rádio Difusora -, e concretizada por um rádio-técnico que atendia pelo apelido de “Nanô”, “que prestava seus serviços à Companhia Melhoramentos de Mossoró S/A (COMENSA)”, segundo a publicação Galera – A Revista de Todas as Torcidas, de número 6, datada de dezembro de 1981.

“’Nanô’ montara em sua residência um transmissor clandestino, instalando-o no campo da Limitada. Quem dispunha de receptor em casa ouviu, com determinadas falhas”, a primeira transmissão de uma partida de futebol aqui na cidade.

Foi daí que surgira a ideia para a instalação da Rádio Difusora de Mossoró.